Musk depõe contra OpenAI e defende: se Altman vencer, “filantropia nos EUA será destruída”
O julgamento histórico entre Elon Musk e a OpenAI teve início nesta terça-feira (28), no tribunal federal de Oakland, na Califórnia (EUA). Após sua arguição inicial, Steven Molo, advogado de Musk, convocou o bilionário para depôr como sua primeira testemunha.
No depoimento, que está sendo acompanhado pelo The New York Times, Musk corroborou com as falas do advogado: “Não é certo roubar uma instituição de caridade”. Isso porque, pouco tempo antes, Molo encerrou sua apresentação com uma frase de impacto direcionada ao júri: “Roubar uma instituição de caridade é absolutamente errado”.
O bilionário é um dos cofundadores da OpenAI e entrou com uma ação judicial em 2024 contra a desenvolvedora, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman. Ele acusa os executivos de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade.
No depoimento, Elon Musk ainda afirmou que, se a OpenAI e Altman vencerem o processo, isso “dará carta branca para saquear todas as instituições de caridade da América”. Ele defendeu que o caso vai além dele ou de outras pessoas presentes no julgamento. “Toda a base da filantropia nos Estados Unidos será destruída”, declarou.
Mais adiante em sua defesa, o executivo se referiu como a força por tras da criação da OpenAI enquanto laboratório de IA sem fins lucrativos. “Eu criei o nome, recrutei as pessoas-chave e consegui o financiamento”, disse. Ele também admitiu que participou de conversas sobre como arrecadar dinheiro para financiar as tecnologias da desenvolvedora, mas que queria manter a parte lucrativa “pequena”.
Antes do fim de sua apresentação, Musk revelou que deixou a OpenAI porque outros fundadores exigiam uma participação acionária excessiva e que isso era “muito irritante”.

Musk prestou depoimento em julgamento contra OpenAI
Ainda no depoimento, o executivo – que atualmente comanda empresas como Tesla, SpaceX e xAI (esta última é concorrente direta da OpenAI) – falou sobre sua própria trajetória como empreendedor e se referiu ao júri como um “sonhador”.
“A vida não pode ser apenas sobre resolver um problema miserável após o outro. Tem que haver motivos para nos sentirmos animados e inspirados em relação ao futuro”, afirmou. Ele também descreveu a SpaceX como uma companhia que se dedica à sobrevivência da raça humana, um “seguro de vida para a vida como a conhecemos”.
De acordo com a análise do NYT, que está presente no tribunal, a estratégia parece ser colocar Elon Musk no centro das atenções. O jornal também destacou que, enquanto acusa a OpenAI de não cumprir com seus objetivos filantrópicos, a própria Fundação Musk deixou de doar por quatro anos seguidos o valor mínimo exigido por lei para manter seu status de isenção fiscal.
Voltando a se referir ao propósito de criar uma IA que beneficie a humanidade, o bilionário falou sobre a Neuralink, startup que desenvolve e implanta interfaces cérebro-computador que conectam o cérebro humano a dispositivos elétricos. Segundo o executivo, se a empresa alcançar uma simbiose entre tecnologia e humanos, “podemos alcançar uma IA que seja melhor para a humanidade”.
Musk também argumentou que suas empresas agem no melhor interesse da humanidade e chegou a citar cenários apocalípticos caso a IA saia de controle. Para ele, a tecnologia pode ir por dois caminhos: benéficas para o ser humano ou destrutivas.
“Isso pode matar a todos nós”, disse, se referindo aos avanços da IA. “Não queremos um desfecho como o de ‘O Exterminador do Futuro'”.

Musk como guardião moral da IA
A estratégia da defesa busca afastar a imagem de que o processo é apenas uma manobra comercial para enfraquecer uma concorrente. Os advogados de Musk tentam convencer os jurados de que esta é uma questão existencial e moral para o bilionário.
As falas corroboram com uma tentativa de humanização do executivo e de que suas empresas colaboram com a humanidade.
Como será o julgamento entre Musk e OpenAI
O julgamento começou nesta terça-feira (28).
A juíza Yvonne Gonzalez Rogers indicou que a primeira fase deve durar cerca de quatro semanas. Alegações de práticas antitruste contra a Microsoft e a OpenAI foram deixadas para uma possível segunda etapa, que ainda não tem garantia de ocorrer.
O tribunal de Oakland reúne alguns dos advogados mais influentes dos Estados Unidos:
- Time Musk: liderado por Steven Molo (litígios comerciais) e Marc Toberoff (conhecido por processos de direitos autorais contra Hollywood).
- Time OpenAI: liderado por William Savitt, o mesmo advogado que representou o Twitter contra Musk na conturbada aquisição de US$ 44 bilhões.
- Time Microsoft: a gigante, principal parceira da OpenAI e também ré no processo, é representada por Russell P. Cohen, especialista em antitruste.
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