Setor automotivo se une contra avanço chinês; governo confirma alta de impostos para 35%
Para tentar conter o domínio chinês, o setor automotivo sul-americano acaba de consolidar uma aliança estratégica entre Brasil e Argentina. Representantes das principais entidades dos dois países firmaram a chamada “Declaração de Buenos Aires”, um compromisso que estabelece uma agenda integrada com foco em competitividade e atração de investimentos.
O documento, assinado durante o evento Automechanika (realizado entre os dias 8 e 11 de abril), reflete uma mudança de postura no Mercosul. O foco agora deixa de ser a administração do comércio bilateral para priorizar uma estratégia conjunta de produção e exportação para o mercado global.
Foco em tecnologias híbridas e elétricas
O acordo, firmado por entidades como Anfavea e Sindipeças (Brasil), e Adefa e Afac (Argentina), prevê que as novas regras de integração sejam consolidadas antes de 2029. Entre as prioridades da agenda está o desenvolvimento de tecnologias de maior complexidade técnica, fundamentais para a transição energética:
- Motores híbridos e elétricos: coordenação de políticas para incentivar o desenvolvimento regional dessas propulsões.
- Especialização produtiva: complementação industrial para ampliar o intercâmbio de peças e veículos entre os dois países.
- Padronização técnica: unificação de regulamentos para o mercado de reposição e componentes originais.
- Eficiência aduaneira: processos mais fluidos nas fronteiras para reduzir custos logísticos.
Conforme apurado pelo G1, o setor automotivo é um pilar vital para a economia local, respondendo por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e empregando mais de 1,9 milhão de pessoas em ambos os países.
Reação à concorrência da China
A união dos vizinhos ocorre em um cenário de forte pressão comercial. O avanço das marcas chinesas tem sido o centro das atenções do setor há anos, gerando inclusive tensões políticas. Em 2025, montadoras instaladas no Brasil já haviam pressionado o governo federal para barrar concessões de impostos sobre carros importados em estado semipronto.
Essa preocupação com a soberania industrial é reforçada por lideranças globais presentes na região. Recentemente, a presidência da Nissan para as Américas também defendeu a adoção de medidas que protejam a indústria nacional contra a agressividade das marcas chinesas. A Declaração de Buenos Aires surge, portanto, como uma tentativa de garantir que a produção regional permaneça competitiva diante da rápida transformação tecnológica do setor.
O posicionamento do governo
Questionado pelo Olhar Digital, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) destacou que o Brasil já possui mecanismos para fortalecer a cadeia nacional, citando o programa MOVER. Segundo a pasta, o incentivo tributário de R$ 19,3 bilhões previsto até 2028 já impulsionou o anúncio de R$ 190 bilhões em investimentos privados.
Sobre a entrada de veículos estrangeiros, o governo reiterou o cronograma de retomada das tarifas de importação para carros eletrificados. A medida é progressiva e visa equilibrar a competição:
- Veículos montados e semidesmontados (SKD): a alíquota atual de 25% a 30% subirá para 35% em julho de 2026.
- Veículos desmontados (CKD): o imposto, que hoje é de 14%, sofrerá o maior reajuste, atingindo 35% em janeiro de 2027.
Esse calendário oficial reforça a estratégia de exigir que as montadoras que se instalam no país aumentem gradualmente o índice de nacionalização de seus veículos, em linha com as preocupações levantadas na “Declaração de Buenos Aires”.
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